domingo, 18 de março de 2018

Review: Destruction - Thrash Anthems II



Por Pedro Humangous
Como o tempo passa voando e não percebemos... Não acredito que tivemos que esperar por 10 anos para ver a parte dois desse “Best Of Old School” contendo as regravações de grandes clássicos da banda! “Thrash Anthems II” acaba de ser lançado no mercado nacional através da parceria entre a Nuclear Blast e a Shinigami Records, trazendo 11 regravações e uma faixa bônus para o cover de “Holiday In Cambodia” do Dead Kennedys. Sei que muitos fãs das antigas irão torcer o nariz, pois “não se mexe em clássico”, certo? Discordo. Acho importante existir o registro oficial da época, mas acho super válido dar uma repaginada no som e mostrar todo o poder das composições em uma nova roupagem, abusando de toda a tecnologia que temos à disposição atualmente. Muita gente reclama da produção dos últimos álbuns do Destruction, dizendo que não tem alma, que estão muito polidos e com uma mixagem estranha. Sinceramente acho um exagero, não vejo tanto problema na sonoridade dos caras, apenas não seguiram o estilão old school de se fazer o Thrash. Nessa regravação senti que eles tentaram soar mais orgânicos, com um som mais “na cara” como dizem, com um baixo mais presente, guitarras com um timbre cortante e a bateria mais “seca”, deixando o bumbo bater no peito e os pratos quase rasgarem nossos tímpanos. O vocal do Schmier é inconfundível e é a essência desse grupo, atualmente completo com a presença de Mike nas guitarras e Vaaver na bateria. Aliás, o Destruction podia ver o exemplo dos conterrâneos do Sodom e adicionar mais um guitarrista na banda, faria uma diferença incrível no som – principalmente ao vivo. A arte da capa é maravilhosa, com vários detalhes e elementos das capas dos discos anteriores de sua discografia, muito legal! Aqui temos músicas da fase dos trabalhos como “Eternal Devastation”, “Sentence Of Death”, “Infernal Overkill”, “Release From Agony” e a parte mais interessante, “Cracked Brain”, época em que o Schmier não cantava na banda, então é bem legal poder ouvi-lo interpretando essas faixas. Em resumo, esse é um registro fantástico, que merece estar em toda coleção que se preze, um item indispensável para quem é fã do Destruction e principalmente do melhor que o Thrash Metal mundial pode oferecer!


Track List:
01. Confused Mind
02. Black Mass
03. Frontbeast
04. Dissatisfied Existence
05. United By Hatred
06. The Ritual
07. Black Death
08. The Antichrist
09. Confound Games
10. Ripping You Off Blind
11. Satan's Vengeance
12. Holiday in Cambodia

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Contato: https://www.facebook.com/destruction/

Review: Gamma Ray – Alive ‘95


Por Pedro Humangous

Estamos de volta com mais uma resenha “Anniversary Edition” do Gamma Ray! Se não me engano, essa é a sexta crítica que faço da série que comemora os 25 anos de existência da banda e dessa vez lhes trago “Alive ‘95”. Após 5 discos lançados e um nome estabilizado no cenário mundial, era hora do primeiro registro ao vivo do grupo formado por Kai Hansen (vocais e guitarras), Dirk Schlachter (guitarras), Jan Rubach (bixo) e Thomas Nack (bateria). Nesse relançamento temos um disco ao vivo e um bônus, tudo remasterizado, contando com uma arte nova para a capa – a que menos gostei até agora. O CD principal conta com um showzaço gravado em 1995 durante a “Land Of The Free Tour”, contendo registros de Milano, Paris, Madri, Pamplona e Erlangen. Temos aqui um set list matador que resgata o melhor do início da carreira do Gamma Ray, além de alguns covers, com destaque para “Ride The Sky” e “Future World” do Helloween. Como Kai havia assumido recentemente os vocais, esse show foi todo em sua voz, e ele não fez feio, uma performance incrível e histórica! O CD bônus conta com 6 faixas também gravadas ao vivo em um show de 1993 na voz de Ralf Scheepers e que até então só haviam sido lançadas na versão americana e agora finalmente estão disponíveis para todos. Em ambos os registros a gravação está bastante condizente com a época, sem overdubs, captando a verdadeira essência do Gamma Ray ao vivo, seja com a formação com o Ralf, seja com o Kai. Temos aqui um set list bastante variado, deixando a audição bem interessante e divertida, relembrando os tempos de glória do estilo. Um material de altíssima qualidade, repleto de peso e muita história! Mais um belo item para completar essa série comemorativa, recomendo!

(Capa original lançada na época)

Track List: 

Disco 1:
1. Land of the Free
2. Man on a Mission
3. Rebellion in Dreamland
4. Space Eater 5. Fairytale
6. Tribute to the Past
7. Heal Me
8. The Saviour
9. Abyss of the Void
10. Ride the Sky (Helloween cover)
11. Future World (Helloween cover)
12. Heavy Metal Mania (Holocaust cover)
13. Lust for Live

Disco 2:
1. No Return
2. Changes
3. Insanity and Genius
4. Last before the Storm
5. Future Madhouse
6. Heading for Tomorrow

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Contato: http://www.gammaray.org/

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Review: Panzer – Fatal Command


Por Pedro Humangous

O inquieto Schmier (Destruction) retomou seu projeto – agora como uma banda oficial – chamado Panzer, lançando o segundo álbum de sua discografia. O primeiro disco, “Send Them All To Hell” já soava bem legal, um Thrash mais ameno, com pegadas de Metal Tradicional. Agora a NWOBHM assumiu o posto de vez, ganhando aquele toque inconfundível do Metal alemão, ganhando uma roupagem ainda mais melódica e tradicional. Com a saída do guitarrista Herman Frank (ex-Accept), Schmier convidou outros dois guitarristas, V.O. Pulver e Pontus Norgren (Hammerfall), dupla que já entrou super entrosada, compondo verdadeiros hinos – aliás, a “briga” entre os solos e as guitarras gêmeas é uma coisa linda de ouvir. O Thrash permanece vivo aqui, apesar de mais contido, soa como uma versão mais moderna e contemporânea do estilo. A produção está impecável, as guitarras estão cortantes e com um timbre maravilhoso, o baixo bem destacado na mixagem, a bateria bem seca e orgânica, além dos excelentes vocais. Tá tudo muito bem encaixadinho, bem composto e empolgante, é uma faixa melhor que a outra, montando uma sequência matadora no setlist. E a capa? Simplesmente sensacional, definitivamente uma das melhores do ano, sendo bem humorada e politizada, esteticamente é muito bonita. Estou espantado com a beleza de cada música, o bom gosto em cada riff despejado, tudo soa épico e marcante. Apesar de não ser um som inovador, mesmo assim eles trouxeram um frescor ao som, misturando de tudo um pouco e acertando em praticamente tudo. Muito difícil apontar destaques nesse trabalho, gostei de tudo o que foi apresentado em “Fatal Command”, as influências claras de bandas consagradas, o jeitão alemão (com pitadas de Primal Fear e Accept), a agressividade andando de mãos dadas com lindas melodias. Quase perdi meu pescoço nas faixas “Satan’s Hollow”, “Scorn And Hate” e “Afflicted”, isso sem falar no insano cover de “Wheels Of Steel” do Saxon. Talvez o único ponto fraco do disco sejam as faixas mais cadenciadas como “Skullbreaker” e “The Decline (...And The Downfall)"; não que sejam ruins, mas deixam um pouco a desejar. Um álbum fantástico, repleto de grandes refrões e músicas viciantes, altamente recomendado a todos! Que venham mais discos do Panzer no futuro, se firmando de uma vez por todas como um grande nome mundial!


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domingo, 28 de janeiro de 2018

Review: Gamma Ray – Land Of The Free



Por Pedro Humangous

É muito interessante quando analisamos os passos dados pelas bandas e as consequências de cada ato. Kai Hansen saiu do Helloween e formou o Gamma Ray com o Ralf Scheepers nos vocais. Lançaram grandes trabalhos juntos, mas com a saída de Ralf – para formar o Primal Fear – é que Kai assumiu os vocais do Gamma Ray e a banda tomou outro rumo, ganhando ainda mais sucesso mundo afora. “Land Of The Free” é o quarto álbum da banda e traz uma banda renovada, tanto na formação quanto em sua sonoridade. Muito mais Power Metal do que antes, com músicas inspiradíssimas e velozes, um verdadeiro clássico do estilo. As composições estão em alto nível, dá pra ver que foram trabalhadas exaustivamente para alcançar a perfeição. Logo na abertura temos a excelente “Rebellion In Dreamland” com seus mais de oito minutos de duração, emendando na maravilhosa “Man On A Mission”, que encaixa perfeitamente em “Fairytale”, isso mesmo, sem descanso para respirar. “All Of The Damned” não fica para trás e mantém o nível de excelência e empolgação, com um refrão matador! Como qualquer bom disco melódico deve ter, “Farewell” é a balada da vez, com uma linda levada, serve para acalmar os nervos e dar uma respirada – ótima opção no set list - destaque para a participação de Hansi Kursch (Blind Guardian). O ritmo volta a pegar fogo em “Salvation’s Calling” e “Land Of The Free”. Outra que merece destaque é “Time To Break Free” que conta com a participação especial de Michael Kiske. Nessa versão de aniversário temos ainda um disco bônus contendo material nunca lançado, versões inéditas e faixas ao vivo. Mais um pacotaço relançado pelo Gamma Ray em comemoração aos seus 25 anos de vida. Mesmo que você tenha a versão original, esse lançamento merece estar em sua coleção. Clássico absoluto e indispensável!


CD1 
1. Rebellion In Dreamland 
2. Man On A Mission 
3. Fairytale 
4. All Of The Damned 
5. Rising Of The Damned 
6. Gods Of Deliverance 
7. Farewell 
8. Salvation’s Calling 
9. Land Of The Free 
10. The Saviour 
11. Abyss Of The Void 
12. Time To Break Free 
13. Afterlife 

CD2  
1. Heavy Metal Mania (Holocaust Cover) 
2. As Time Goes By (Pre-Production Version) 
3. The Silence ’95 
4. Dream Healer (Instrumental – Live At Chameleon Studios 2017) 
5. Tribute To The Past (Instrumental – Live At Chameleon Studios 2017) 
6. Heaven Can Wait (Instrumental – Live At Chameleon Studios 2016) 
7. Valley Of The King (Instrumental – Live At Chameleon Studios 2016)

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Review: Wild Witch – The Offering


Por Pedro Humangous

Formado em Curitiba, “The Offering” é o primeiro álbum da banda Wild Witch. Formada por Felipe Rippervert (vocais e baixo), Mariano Burich (guitarras) e Weiberlan Garcia (bateria), o trio apresenta um Metal tradicionalíssimo, totalmente calcado no NWOBHM, ou seja, sonoridade calcada nos anos 80, baseada em bandas como Judas Priest, Iron Maiden, um pouco de Motorhead e Accept. Antes de colocar o disco pra rodar, analisamos a parte estética dando uma folheada no encarte, achei o logotipo e a arte da capa bastante simplórios, bem como o interior do booklet, nada que chamasse a atenção. O som, por sua vez, está redondinho, trazendo de volta o espírito oitentista nas composições, um ar analógico proposital que casou bem com a proposta da banda. O baixo está bem presente na mixagem, ditando o ritmo das músicas juntamente com a bateria mais seca e reta. Os vocais lembram bastante o Blind Guardian no começo da carreira e os primeiros discos do Iron Maiden. Não são ruins, mas merecem mais atenção daqui pra frente, com mais presença, mais punch – um pouco mais de atenção na pronúncia do inglês também se faz necessária.  O grande destaque da banda são as guitarras, seus riffs são viciantes e os solos avassaladores. Destaque também para as faixas “Heavy Meta Inferno”, “Night Rulers” e “Exiles In Hell”, pelo ritmo mais acelerado e pelos refrãos que colam no cérebro. O álbum tem pouco mais de quarenta minutos e passa rapidamente, de forma natural, sem cansar, mostrando ser um disco bem balanceado e empolgante. É o tipo de som que deve soar fantástico ao vivo, espero um dia poder vê-los nos palcos. Ajustando pequenos detalhes nos vocais e apostando em uma direção de arte caprichada, certamente vão chegar ainda mais longe e saciar a sede dos fãs por esse tipo de som, cada vez mais apreciado nos dias atuais. 


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domingo, 21 de janeiro de 2018

Review: Accept – The Rise Of Chaos


Por Pedro Humangous

Fiquem tranquilos, não usarei a analogia do vinho para descrever o trabalho do Accept. A verdade é que a cada novo laçamento eles estão ficando melhores, é inegável a maturidade e experiência sendo aplicadas na prática a favor da boa música. Os caras encontraram um balaço, uma forma “fácil” de compor grandes canções. Tudo soa bem encaixado, grandioso, empolgante na medida certa. O timbre das guitarras tá lindo demais, o baixo e a bateria andam de mãos dadas encorpando ainda mais o som e os vocais de Mark Tornillo estão soberbos. “The Rise Of Chaos” foi lançado no final de 2017 e é o décimo quinto disco na carreira dos alemães, foi produzido pelo ultra experiente e renomado Andy Sneap. Aqui temos a estreia de dois novos integrantes, Uwe Lulis na guitarra e Christopher Williams na bateria, completando o time formado por Tornillo nos vocais, Peter Baltes no baixo e Wolf Hoffmann nas guitarras. Composto por dez faixas, o álbum segue como uma evolução do seu antecessor, “Blind Rage”, trilhando o caminho do Heavy Metal Tradicional, com músicas mais diretas, riffs simples (mas marcantes), muita melodia e refrãos monumentais. Dá pra sentir a energia de uma banda veterana, cheia de energia, que lota estádios e faz shows incríveis. Destaque para a faixa de abertura, “Die By The Sword”, “Koolaid”, cadenciada com uma pegada mais Hard Rock e “Analog Man” que remete imediatamente à “Balls To The Wall”. A maravilhosa arte da capa foi feita por um dos melhores artistas da atualidade, o húngaro Gyula Havancsák. Muito legal ver a banda se reerguendo e mantendo firme sua posição como uma das grandes bandas do Rock/Metal do mundo! 


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Review: Miss May I – Shadows Inside


Por Pedro Humangous

O leão está de volta! Dois anos após o lançamento de “Deathless”, a banda americana Miss May I retorna com seu sexto álbum de estúdio, trazendo de volta o característico leão nas artes que ilustram as capas. O grupo ganhou notoriedade em 2010, quando o movimento Metalcore estava em alta e soltaram o excelente “Monuments”. De lá pra cá, tanto o estilo quanto sua a popularidade foram esfriando; sua música, apesar de interessante, foi perdendo o encanto. Os fãs que me perdoem, mas “At Heart”, “Rise Of The Lion” e “Deathless”, mesmo sendo bons discos, não ganharam a devida exposição na mídia e nem tiveram muita repercussão. Até tentei ouvi-los, mas algo não me prendia, cansavam após a primeira audição. E o que podemos esperar desse novo álbum? Bem, felizmente pra uns e infelizmente pra outros, nada muito diferente. A qualidade de gravação e produção está infinitamente melhor, houve um balanço entre os instrumentos que deixou tudo mais agradável de ouvir – antigamente eles focavam muito nas guitarras e deixavam a bateria alta demais. Os riffs das guitarras continuam sendo o maior destaque das composições, sempre variados, inteligentes e criativos, ditam o ritmo das músicas. Os vocais também mantiveram o padrão, rasgados/desesperados no começo, seguidos do refrão cantado de forma limpa. Não ficaria ruim se variassem só um pouquinho, daria mais dinâmica à audição e acho que essa é a maior falha da banda, acabam soando repetitivos. “Never Let Me Stay”, repleta de teclados e vozes mais leves, remete a um Linkin Park atual, buscando uma base maior de ouvintes por ser mais acessível. “Casualties” é mais o que eu esperava do Miss May I, riffs interessantes, vocais nervosos, inserções de sintetizadores e uma pequena dose de melodia. Aqui soam como uma mistura de Killswitch Engage com o novo In Flames. Com pouco menos de 35 minutos de duração, o disco passa voando e te convida para uma nova e aprofundada audição. A cada nova rodada as músicas ganham força e vão crescendo. A forma como produziram e mixaram esse álbum me faz pensar que estão querendo ser agressivos, mas ao mesmo tempo acessíveis. Todo o poder do Metalcore aqui soa aguado, diluído para que possa ser engolido sem fazer careta. “Shadows Inside” é como um bom whisky cheio de gelo e energético. Vai do gosto de cada um. 


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domingo, 7 de janeiro de 2018

Review: Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay


Por Pedro Humangous

Se tem um disco que ouvi exaustivamente em 2017, esse foi o “Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay”. Aliás, ele está na minha lista dos dez melhores lançamentos do ano passado! O Cradle Of Filth vem em um processo lento de transição na sua sonoridade, se afastando cada vez mais do Black Metal do início da carreira e se transformando em algo mais dark, sinfônico e principalmente melódico – mais ou menos o que aconteceu com o Therion e com o Dimmu Borgir, por exemplo. Essa mudança não foi do dia para a noite, foi feita com calma, de forma pensada e transitória ao longo dos anos. Com isso, acredito que não tenham perdido sua base de fãs e ainda conquistaram novos adeptos – afinal o som ficou bem mais acessível. Nesse mais recente trabalho, a banda soa rejuvenescida, mesclando bem alguns itens dos primeiros álbuns e abusando da melodia, orquestrações e camadas de vozes. As guitarras estão estupendamente lindas, duplicadas de forma incrível na mixagem, você ouve com extrema clareza o que cada uma faz (principalmente com bons fones de ouvido, cada uma delas está separada em um ouvido, muito legal!). O clima soturno e teatral em cada música deixa tudo ainda mais majestoso e grandioso. Os vocais esdrúxulos de Dani Filth estão ainda melhores, acho que ele encontrou o balanço perfeito entre sua voz limpa e seus urros característicos, trabalhando sempre a favor da composição. A bateria e o baixo estão na medida certa, sem brigar muito com os demais instrumentos e funcionam super bem quando acompanhados dos lindos teclados e das vozes femininas. Após uma bela intro, o bixo pega em “Heartbreak And Seance”, extremamente viciante, e emenda com a fantástica “Achingly Beautiful”, uma trinca de tirar o fôlego. “Wester Vespertine”, mesmo com seus mais de sete minutos, não cansa, pelo contrário, encanta conforme prossegue, se utilizando de algumas coisas de Metal Tradicional e até Death Melódico – definitivamente um dos pontos altos do álbum. E o que dizer de “The Seductiveness Of Decay” que insere umas guitarras gêmeas no melhor estilo Iron Maiden e do nada encaixa um Thrash Metal no meio? Não vou nem falar do solo pra não perder a graça! Surpreendente demais! O disco segue de forma homogênea, entregando uma faixa mais matadora que a outra. Só achei a duração no geral longa demais, com apenas dez faixas, o álbum passa de uma hora – isso se contarmos as duas faixas bônus, a última inclusive, um cover insano de “Alison Hell” do Annihilator. A arte da capa, apesar de ser meio “manjada”, é muito bonita e segue a linha que a banda vem seguindo em seus discos. Sério, essa obra está bonita demais, muito bom gosto em cada detalhe, a cada nova faixa que surge o sorriso aumenta e ao fim da audição do trabalho, lá está você, embasbacado e pronto para apertar o play novamente!


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Review: Belphegor – Totenritual


Por Pedro Humangous

Acompanho o trabalho dos austríacos do Belphegor desde “Walpurgis Rites” – lembro que a fase mais antiga deles era “Black Metal demais” pra mim e esse “Walpurgis” estava mais acessível, mais melódico. Depois viciei no “Blood Magick Necromance”, apesar do som caótico, as composições eram fantásticas. “Conjuring The Dead” veio na sequência, mesclando muito bem o Black e o Death Metal, mas ainda as músicas soavam confusas. Agora, em “Totenritual”, finalmente acertaram a mão na mixagem e na escolha dos timbres (méritos para o excelente Jason Suecof). Aparentemente desceram o tom das guitarras, ficando mais graves, mais modernas e mais soturnas. Os vocais estão mais fechados, mais cavernosos e combinam mais com a proposta sonora atual da banda. Após onze discos lançados, parece que enfim encontraram o equilíbrio e a perfeição no som que tanto buscavam. Talvez aqui suas raízes Black estejam mais presentes e a melodia de outrora menos evidente. Houve um balanço maior também entre os momentos mais cadenciados e a velocidade da luz trazendo os ventos gélidos da atmosfera do Metal Negro. Em alguns momentos as músicas soam como um mix entre o Nile e o Behemoth, com pinceladas de Deicide. O disco começa bem, bastante agressivo e vai crescendo ao longo da audição, cada música tem seu diferencial, soando como um grande quebra cabeças onde as peças vão se encaixando para formar o “Totenritual”. A banda escolheu mais uma vez o artista gráfico Seth Siro Anton para ilustrar a capa e todo o conceito visual desse álbum e, convenhamos, ficou fantástico! É legal ver que o Belphegor não descansa, não se acomoda e está sempre em busca de se inovar, experimentar coisas novas. Gostei muito da produção mais balanceada e mais moderna, das guitarras em baixa afinação e dos novos estilos vocais. Senti falta das grandes e marcantes melodias usadas nos discos anteriores. De um modo geral, a banda da um passo firme a frente e se solidifica como um dos expoentes quando o assunto é Blackened Death Metal.


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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Review: Grey Wolf - The Beginning – Early Years Anthology


Por Pedro Humangous


Formado em Contagem/MG no ano de 2012, a banda Grey Wolf é capitaneada pelo multi-instrumentista Fabio Paulinelli. De lá pra cá, o grupo se manteve firme na ativa, lançando material novo todos os anos. Resenhei o ótimo “Glorious Death” aqui mesmo na Hell Divine no ano passado (você pode conferir aqui). Agora em 2017 lançaram uma antologia resgatando as demos do inicio da carreira, além de duas faixas novas e cinco gravadas ao vivo. A parte gráfica já impressiona bastante, com uma belíssima arte para a capa, o encarte acompanha em ordem cronológica mostrando cada Demo lançada e suas respectivas músicas aqui presentes. Uma coisa que notei foi uma incrível variação entre capas toscas e capas lindíssimas. Outra variação bastante nítida é na qualidade das gravações – mas é claro, por se tratarem de versões demo, esse é o charme da coisa. Essa espécie de coletânea está muito bem organizada, fazendo a alegria dos antigos fãs e principalmente aos saudosistas do som oitentista, a vibe aqui é inegável. A faixa de abertura, “The Beginning”, é maravilhosa, com guitarras gêmeas e um baixo marcante, bem no estilão Iron Maiden! Os gritos de guerra lembram um pouco Manowar e Grave Digger, mas com muita personalidade, sem parecer uma cópia de nenhum deles. As músicas demo são muito boas, extremamente viciantes e mereciam ser regravadas. As faixas ao vivo infelizmente não ficaram boas, a captação deixou as guitarras altas demais e os vocais abafados – nota-se que não são gravações profissionais. Mesmo assim valem como registro. “Defenders Of Steel”, a última no track list, ficou deslocada no final do disco, deveria ter sido colocada no início. Talvez quisessem fechar o álbum com uma música marcante e de alto nível – e conseguiram! De qualquer forma esse é um material riquíssimo e divertido de ouvir, recomendo aos amantes do bom e velho Metal Tradicional com aquela pegada dos anos 80!


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domingo, 10 de dezembro de 2017

Review: Decapitated- Anticult


Por Pedro Humangous

Não entrarei no mérito da confusão em que o Decapitated está metido fora dos palcos. Irei concentrar apenas na música e no seu mais recente álbum, “Anticult”. Analisando a discografia desses poloneses, notamos com clareza a evolução na forma de compor, nas doses cada vez maiores de modernidade em seu som. E não estamos falando de modernizar a forma de gravar, mas sim na maneira como estruturaram a sonoridade desejada pela banda. O Death Metal característico continua aqui, mas o timbre das guitarras já é bem diferente de outrora, aqui ganharam mais corpo, aquele toque inconfundível do Djent. Inseriram sintetizadores, colocaram algumas essências do Deathcore, riffs quase Melodic Death Metal (“Death Valuation” soa quase como um Soilwork). Temos ainda bastante Groove, Tech e Thrash Metal despejado ao longo das faixas. A qualidade de gravação está estupenda! Tá tudo muito bem timbrado, cada instrumento bem audível na mixagem, um punch animal do baixo com a bateria, vocais insanos! Gostei da maturidade apresentada aqui, o ataque impiedoso dos blastbeats, algo meio Prog jogado no meio, isso sem falar na atmosfera que criaram em cada música. Para o som que faziam antes, existiam dezenas de bandas que faziam algo igual e, sinceramente, até melhor do que eles. Eu confesso que não dava muita bola para os discos lançados antes de “Anticult”. Passava o ouvido uma ou duas vezes e deixava de lado. Agora, com essa nova roupagem, o Decapitated subiu diversos níveis e ganha novas características, novos fãs e briga por outros espaços antes estagnados. Esse novo álbum está viciante, com guitarras inteligentes, solos incríveis e refrãos marcantes, fazendo com que você queira ouvir mais e mais. Não é a toa que estão em várias listas dos melhores do ano pelo mundo afora! Mais que merecido!



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Through The Skies - Chapter One: The Awakening



Formado atualmente por  Fernando Nemes (vocal), Lucas de Oliveira e Herbertt (guitarras / vocais), Rafael Souza (baixo) e André Ataíde (bateria, Imminet Attack, ex-Eternal Malediction) a banda Through The Skies acaba de soltar seu primeiro EP, intitulado "Chapter One: The Awakening".Fazendo uma rápida análise da parte estética e visual, a capa é simples, porém bonita, gostei também do logotipo. O EP vem em uma embalagem simples, envelope de papelão. Mas só de terem lançado isso de forma física já é louvável. A proposta aqui é focada no Metalcore, com pitadas de Death, com bastante Groove e Core pra todo lado. A gravação está boa, mas pode dar uma leve melhorada nos próximos lançamentos. O vocal limpo não é ruim, mas merece uma atenção maior. Se investirem em uma boa produção, num bom artista gráfico e focarem em divulgação, acredito que o Through The Skies tenha grandes chances de se tornar um dos maiores nomes do estilo no Brasil!




Contato: https://www.facebook.com/throughtheskiesoficial/

Hora da leitura: João Gordo – Viva La Vida Tosca


Por Pedro Humangous

Eu adoro ler. Mas esse não foi um hábito que tive desde criança, fui adquirindo conforme fui crescendo e amadurecendo na vida. Tenho muitos livros e histórias em quadrinho, o duro mesmo (hoje em dia) é arrumar tempo para dedicar à leitura. Confesso, leio devagar. Estou com essa biografia do João Gordo há meses na minha cabeceira, levo pra todo lugar comigo e finalmente consegui terminar! 

Acho difícil alguém no Brasil nunca ter ouvido falar do João Gordo ou do Ratos de Porão. Você pode até não gostar de um ou do outro, mas não conhecer é bastante improvável. 


A leitura flui com naturalidade, numa linguagem fácil e muito próxima da que usamos no dia a dia. É fácil se conectar e se sentir rapidamente um amigo do Gordo. Narrada por ele mesmo, o livro conta sua história de vida, desde criança até os dias de fama. Foi muito legal acompanhar essa trajetória, sua adolescência conturbada, as brigas com o pai, o surgimento do movimento Punk no Brasil, o surgimento do Ratos de Porão, o abuso das drogas, o nascimento dos filhos, etc. Sua vida é literalmente exposta aqui, recheada de detalhes, histórias tensas e engraçadas, definitivamente uma biografia divertida de ler. O livro, lançado pela Darkside Books, vem em capa dura aveludada, com papel de altíssima qualidade, repleto de fotos que ilustram cada momento vivido por João. Após ler esse livro, passamos a entender melhor esse ídolo mundial, compreender suas escolhas e apreciar ainda mais o artista que é. Tudo faz mais sentido após Viva La Vida Tosca. Escrito por André Barcinski, o material contém 320 páginas e está disponível nas principais livrarias do país. Em um ótimo momento da literatura, onde surge uma nova biografia por mês, recomendo muito essa!





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Hell Divine: Os melhores de 2017


Top 10 (em ordem alfabética):
Aeternam - Ruins of Empires
Archspire – Relentless Mutation
Cradle of Filth - Cryptoriana
Dark Avenger – The Beloved Bones: Hell
Igorrr – Savage Sinusoid          
Kreator – Gods of Violence
The Faceless - In Becoming A Ghost
Trivium – The Sin And The Sentence
Sikth – The Future In Those Eyes
Wael Daou – Sand Crusader

Menções honrosas:
Aversions Crown - Xenocide
Enfold Darkness - Adversary Omnipotent
Mastodon – Emperor Of Sand
Moonspell – 1755
Persefone - Aathma
Project 46 - Tr3s
Rings of Saturn - Ultu Ulla
Septicflesh - Codex Omega
Shadow Of Intent - Reclaimer
The Black Dahlia Murder - Nightbringers
Wintersun - The Forest Seasons
Witherfall – Nocturnes And Requiems
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Melhor capa: Annihilator – For The Demented


Melhor ao vivo: Blind Guardian - Live Beyond The Spheres


Melhor coletânea: Edguy - Monuments


Melhor regravação: Rhapsody Of Fire – Legendary Years


Melhor DVD: Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night


Revelação: Progenie Terrestra Pura - Oltre Luna


Esperava mais: Arch Enemy - apesar de excelentes riffs e músicas marcantes, ficou abaixo do esperado quando se tem Michael Amott e Jeff Loomis.

Esperava menos: Sepultura - depois de discos mornos, gostei bastante do direcionamento que deram em Machine Messiah.

Melhor notícia do ano: retorno do Nocturnal Rites.

O que gostaria pra 2018:
Novo álbum do Bittencourt Project
Novo álbum do Demons & Wizards
Novo álbum ou DVD do King Diamond
Novo álbum do Domine

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Optical Faze: lançamento do seu novo videoclipe, “Ghost Planet”!


Um mix de emoções marca o lançamento do videoclipe da música “Ghost Planet” da banda Optical Faze. Ao mesmo tempo que comemora com alegria mais uma conquista com esse material inédito, a banda se apresentará pela última vez após uma carreira de 18 anos dedicados ao Metal. Esse momento único e marcante será celebrado na segunda edição do Ferroada Fest, que acontecerá no dia 17 de dezembro em Brasília – evento que tem o apoio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Distrito Federal). 

Fechando o lineup estarão outras três bandas do DF: Isaurian com seu Doom pesado e arrastado, Fleshpyre com toda a brutalidade do Death Metal e Toro, um expoente do Stoner da capital federal! Os portões abrem 17h e os shows começam às 18h. 

Compareçam, será uma grande celebração da amizade e do amor ao Metal! 

Local: 
Espaço Cultural Canteiro Central SCS Quadra 3 bloco A Lote 210 - Ed. Paranoá, Brasília

Ingresso: R$ 20,00

Contatos: 
Site: www.opticalfaze.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/OpticalFazeOfficial
Twitter: @opticalfaze
Email: contato@opticalfaze.com.br

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Review: Sioux 66 – Caos


Por Pedro Humangous

Já tinha ouvido falar da banda Sioux 66, só não tinha conseguido parar para ouvi-los com a devida atenção. Afinal, Black Metal e Hard Rock não são minha especialidades e acabam perdendo a preferência nas minhas playlists diárias. Logo de cara temos um lindo digipack, contendo uma verdadeira obra de arte ilustrando a capa – estamos falando da obra “Custer’s Last Stand” do pintor Edgar Samuel Paxson, de 1899. Notei também que o disco foi lançado pela gigante Sony Music, sabemos que pra uma banda brasileira ser lançada por uma major desse porte não é pra qualquer um. Os músicos levam o negócio a sério e abusam do visual hard rocker com tudo o que têm direito, óculos escuros, chapéu, correntes, bandanas e muito couro. Falando sobre o som, a produção está fantástica, cristalina e na medida certa, balanceando bem os vocais, o baixo bastante presente, o timbre sujo das guitarras e a bateria mais seca e orgânica – aquela cara de som ao vivo. Os créditos vão para Henrique Baboom que produziu a banda com a mixagem e masterização do experiente Brendan Duffey. As composições em português ganham bastante força com letras simples, mas divertidas. A sonoridade não esconde suas influências da velha escola do Hard na linha de Bon Jovi, Guns N Roses, Motley Crue e Skid Row. As músicas são simples e diretas, mas desempenham bem seu papel, divertir a banda e seus ouvintes. Em sua maioria são composições em mid-tempo, algumas com mais peso – com riffs bem criativos e interessantes – outras são mais leves e puxadas para semi-baladas. Destaque para as faixas “O Homem Que Nunca Mudou” (com a presença de gaita e um solo bem bacana), “Minerva” (com uma pegada interessante) e “Desarmado” (um toque punk, mais agressiva e viciante). No fim, uma faixa bônus, o cover de “Calibre” do Paralamas do Sucesso, que ficou bem interessante, com uma nova roupagem. O Sioux 66 traz um respiro e um sangue novo ao Rock nacional, apostando nas melodias e na leveza do Hard Rock, atingindo um público mais amplo e revitalizando nossa geração.